Procurado há um ano, um dos líderes do MST na região é preso

Procurado há um ano, um dos líderes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na região de Bauru, Willian Miranda Cabeçoni, o "Japonês", de 33 anos, foi preso em Agudos, ontem pela manhã. Ele teve a prisão preventiva decretada em agosto de 2017, acusado de dano, furto e associação criminosa.

De acordo com o titular da Delegacia Seccional de Bauru, Ricardo Martines, o "Japonês" é investigado pela Polícia Civil desde 2007, quando ocupou uma fazenda em Lins . De 2008 em diante, segundo o delegado, ele atuava em propriedades de Borebi e Agudos.

Em 2009, o "Japonês" e outras 22 pessoas foram indiciadas por sete roubos e organização criminosa, mas responderam em liberdade. Ainda conforme informações do seccional, de 2013 a 2017, o sem-terra ocupou a fazenda da Cutrale, em Borebi, e a Nossa Senhora de Fátima, em Agudos, diversas vezes. Entretanto, em abril do ano anterior, o "Japonês" e mais três pessoas foram identificadas pela Polícia Civil, que instaurou inquérito, por dano, furto e associação criminosa. "Ele utilizava a bandeira social para cometer crimes, como esbulho, dano, furto e roubo", observa o delegado.

Em vista disto, a polícia indiciou os identificados, mas apenas o "Japonês" teve a sua prisão preventiva decretada pela 3.ª Vara Criminal de Lençóis Paulista. O sem-terra, por sua vez, fugiu e só foi encontrado ontem, enquanto visitava a sua companheira, que vive no assentamento da Fazenda Agrocentro, em Agudos.

À Polícia Civil, o "Japonês" teria assumido apenas três ocupações. "Ele aparece em 25 ocorrências policiais, sendo 18 por desobediência, esbulho e lesão corporal - destas, quatro se deram na fazenda da Cutrale", revela Martines. Agora, ele está à disposição da Justiça, no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Bauru.

OUTRO LADO

A direção estadual do MST, em São Paulo, alegou, em nota, que a prisão de "Japonês" havia sido decretada meses antes pela Justiça de Lençóis Paulista, "em uma ação arbitrária, em defesa da Sucocítrico Cutrale, uma das maiores exportadoras de suco de laranja do mundo".

Ainda de acordo com o movimento, a Cutrale vem sendo denunciada há mais de uma década pelo MST, "por ser uma empresa invasora e grileira de terras públicas da União". "Lutamos para que o Incra, a AGU, o MPF e a Procuradoria Federal cumpram com o seu dever e façam valer os direitos constitucionais de arrecadação das terras públicas para a Reforma Agrária", finaliza o grupo, em nota.

Autor: Web Rádios

Fonte: Fonte : Jornal da Cidade (Bauru)

Data: 12/09/2018 08:40

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